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ALGAplus

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Em Ílhavo, uma empresa de biotecnologia azul cultiva macroalgas de forma sustentável e exporta inovação científica portuguesa para diferentes setores globais.

Num país historicamente ligado ao mar, a economia azul está a abrir novos caminhos de inovação e valor económico. Em Ílhavo, junto à Ria de Aveiro, a ALGAplus transformou esse património natural num projeto empresarial que combina ciência, biotecnologia e sustentabilidade para produzir macroalgas destinadas à indústria alimentar, cosmética e nutricional.

Fundada com o objetivo de desenvolver soluções sustentáveis a partir de recursos marinhos, a ALGAplus tornou-se uma referência portuguesa na área da biotecnologia azul, um campo que cruza investigação científica, tecnologia e produção industrial para explorar o potencial económico do oceano. A empresa cultiva macroalgas marinhas em ambiente controlado e transforma-as em matéria-prima para diferentes setores industriais, mantendo um compromisso forte com a sustentabilidade ambiental e a rastreabilidade.

Esta história é apresentada num dos episódios da série “De Portugal para o Mundo”, conduzida por Diana Pereira, que percorre o país à procura de empresas portuguesas capazes de competir em mercados internacionais. No episódio dedicado à ALGAplus, o protagonista é Paulo Santos, CEO da empresa, que explica como ciência, mar e inovação se juntam para criar novos produtos e novas oportunidades económicas.


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Quando o mar encontra a ciência

O ponto de partida da ALGAplus é simples e ambicioso ao mesmo tempo: transformar recursos naturais do oceano em soluções sustentáveis para diferentes indústrias.

Para Paulo Santos, esta combinação entre natureza e conhecimento científico é o verdadeiro motor do projeto. “Acaba por ser uma simbiose quase natural, porque o mar dá-nos produtos, dá-nos matérias-primas, é uma fonte quase indiscutível de recursos.”

    Mas o potencial do oceano só se torna realidade económica quando é interpretado através da ciência. “A ciência, no fundo, dá-nos o conhecimento que nós precisamos de ter desses produtos e dessas matérias-primas, para podermos transformar em novos produtos e pormos isso na mesa, colocarmos isso nos mercados, nos setores de atividade onde nós estamos.”

    É essa articulação entre investigação científica e produção que permite à empresa transformar algas marinhas em ingredientes para alimentos, suplementos, cosméticos ou biotecnologia industrial.

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    Por exclusão de partes, nós vamos ter de olhar para o mar e para os oceanos, explorar um pouco mais, conseguir perceber um pouco mais que produtos é que nós podemos ter deste recurso.
    Paulo Santos, CEO da ALGAplus

    O oceano como recurso estratégico

    A economia azul tornou-se um dos grandes temas estratégicos do desenvolvimento sustentável global. À medida que os recursos terrestres enfrentam limites crescentes, o mar surge como uma nova fronteira de inovação.

    Paulo Santos defende que compreender melhor os oceanos será determinante para o futuro da economia e da alimentação mundial. “Penso que o mar é importante porque faz parte do nosso passado e vai fazer seguramente parte do nosso futuro.”

    Segundo o CEO da ALGAplus, o oceano continua a ser um dos recursos menos explorados pela ciência e pela indústria. “O mar é talvez o recurso que nós conhecemos menos e que nós exploramos menos.”

    Num mundo onde terra e água doce se tornam recursos cada vez mais limitados, olhar para o oceano como fonte de novos produtos pode tornar-se inevitável. “Por exclusão de partes, nós vamos ter de olhar para o mar e para os oceanos, explorar um pouco mais, conseguir perceber um pouco mais que produtos é que nós podemos ter deste recurso.”

    Entre as possibilidades estão novas fontes de proteína, fibra ou compostos bioativos que podem ser utilizados em diferentes setores industriais.

      Cultivar em vez de recolher

      A sustentabilidade está no centro da estratégia da ALGAplus. Em vez de recolher algas diretamente do oceano, a empresa optou por desenvolver um sistema de cultivo controlado que permite produzir macroalgas de forma previsível e ambientalmente responsável.

      Essa decisão faz parte da identidade da empresa.

      “Para a ALGAplus significa muito. A ALGAplus tem a palavra sustentabilidade ou o conceito de sustentabilidade intrínseco à sua atividade, faz parte do nosso ADN.”

      Segundo Paulo Santos, havia dois caminhos possíveis. “Nós estamos no mundo das macroalgas e temos dois caminhos essencialmente. Um caminho era sermos apanhadores, portanto, consumirmos os recursos que a natureza nos dá.”

      A empresa decidiu seguir uma estratégia diferente. “Outro caminho seria nós assumirmos a responsabilidade e puxarmos a nós essa responsabilidade de mimetizar as condições que a natureza tem e proporciona para a criação e para o desenvolvimento deste produto.”

      Essa escolha permite garantir qualidade, consistência e crescimento sustentável. “O nosso objetivo é crescermos sem dependermos da natureza, crescermos de uma forma sustentável, com qualidade e com o maior controlo das variáveis que nós possamos ter.”

        O que é a biotecnologia azul

        A atividade da ALGAplus insere-se num campo científico e industrial conhecido como biotecnologia azul, que consiste na aplicação da tecnologia e da investigação científica aos recursos marinhos.

        Paulo Santos resume o conceito de forma clara. “Por um lado temos o oceano e os mares e aquilo que conseguimos obter deles. Por outro lado temos a ciência que nos diz o que é que conseguimos ir buscar.”

        A tecnologia surge então como a ponte entre esses dois mundos. “Biotecnologia azul é a aplicação da tecnologia, tal como nós a conhecemos e que cada vez mais evolui, especificamente aos produtos derivados do mar e do oceano.”

        Essa abordagem permite extrair das algas compostos com múltiplas aplicações.

        Muito mais do que sushi

        Para muitos consumidores, as algas estão associadas sobretudo à gastronomia japonesa. No entanto, o potencial destas espécies marinhas vai muito além da alimentação.

        Segundo Paulo Santos, as algas podem ser utilizadas como ingredientes ou componentes para diferentes indústrias. “Estamos mais habituados a ver a alga como produto, seja em saladas, seja no sushi.” Mas a utilização industrial é muito mais ampla. “Também podemos olhar para as algas como uma fonte de produtos ou uma fonte de componentes para serem incorporados noutros produtos.”

        Entre esses componentes estão fibras, proteínas, pigmentos naturais ou açúcares complexos utilizados em diferentes processos industriais. “São componentes que outros alimentos ou outras indústrias usam na sua atividade. A indústria do food, a indústria da cosmética, são bons exemplos.”


          Cerca de 80% do nosso produto é exportado, principalmente para a Europa neste momento. Estamos presentes também noutros continentes. Estamos a abrir a outros países, a outros mercados, a outros setores de atividade.
          Paulo Santos, CEO da ALGAplus

          Exportar biotecnologia portuguesa

          Tal como muitas empresas inovadoras portuguesas, a ALGAplus encontrou nos mercados internacionais o principal motor de crescimento. “Cerca de 80% do nosso produto é exportado, principalmente para a Europa neste momento.”

          A empresa está também a expandir a presença para outros continentes e setores de atividade. “Estamos presentes também noutros continentes. Estamos a abrir a outros países, a outros mercados, a outros setores de atividade.”

          Este crescimento internacional confirma que a biotecnologia azul portuguesa tem potencial para competir globalmente.

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          Espécies com valor económico

          No centro da operação da ALGAplus estão diferentes espécies de macroalgas cultivadas em tanques e sistemas controlados. Entre elas está o Fucus, muito utilizado na alimentação, a Porphyra, conhecida pela utilização no sushi, e a Palmaria palmata, uma alga vermelha com propriedades antioxidantes.

          “Temos a Palmaria, que é uma alga vermelha que muitas pessoas chamam o bacon do mar.” Esta diversidade permite à empresa responder às necessidades de diferentes mercados e aplicações industriais.

          Logística e qualidade

          “O transporte é a única forma que nós temos de conseguir assegurar que o nosso cliente receba o produto com a mesma qualidade que chega ao final da nossa linha de produção.”

          Tal como em muitas cadeias de valor alimentares e biotecnológicas, a logística desempenha um papel essencial para garantir que o produto chega ao cliente final com a qualidade necessária.

          Esse cuidado é particularmente importante quando se trabalha com matérias-primas naturais e sensíveis. “O transporte faz esse elo de ligação e é absolutamente importante.”

          Crescer e conquistar novos mercados

          Apesar do crescimento registado nos últimos anos, a ALGAplus continua focada em expandir a sua presença internacional. “Para começar, temos de dar retorno ao nosso acionista, que confiou em nós.”

          Mas o objetivo vai além da sustentabilidade financeira. “Queremos chegar a mais países, chegar a mais mercados, chegar a mais setores de atividade.”

          Ao mesmo tempo, a empresa procura consolidar relações com clientes e reforçar o compromisso social com colaboradores e comunidade.

            “De Portugal para o Mundo”: mais do que uma série

            A história da ALGAplus integra a série “De Portugal para o Mundo”, que percorre o país à procura de empresas que representam o melhor do tecido empresarial português.

            Ao longo de vários episódios, o projeto apresenta exemplos de empresas que inovam, exportam e competem em mercados globais, mostrando que Portugal é hoje um país com capacidade tecnológica e industrial relevante.

            Produzir em Portugal para competir globalmente

            Tal como acontece com o Volkswagen T-Roc – produzido em Portugal e exportado para diferentes mercados internacionais –, também a ALGAplus representa uma nova geração de empresas que nascem num território específico, mas pensam à escala global.

            Num mundo cada vez mais orientado para sustentabilidade, ciência e inovação, projetos como este mostram como Portugal se pode afirmar em áreas emergentes da economia global.

            Porque quando Portugal investe em conhecimento, inovação e recursos naturais, o mundo aproxima-se.

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