Este percurso é retratado na série “De Portugal para o Mundo”, uma iniciativa Volkswagen, com o apoio do Jornal de Negócios. Os episódios são conduzidos por Diana Pereira, que percorre o país ao volante do novo Volkswagen T-Roc para dar a conhecer empresas portuguesas que levam o nome de Portugal além-fronteiras.
Neste segundo episódio da série, a conversa acontece com Ana Tavares, CEO da RDD Textiles, a unidade de investigação e desenvolvimento do grupo, cuja atividade científica sustenta a evolução industrial da Valérius 360 e o posicionamento do grupo nos mercados internacionais.

“Deixou de fazer sentido olharmos para a indústria têxtil como uma indústria que é a segunda indústria mais poluente, como ainda se diz aos dias de hoje”, afirma Ana Tavares. “Sabemos que somos efetivamente uma indústria que tem um impacto muito grande ao nível ambiental e social também, que não é o caso de Portugal, porque felizmente vivemos num país que tem muitas regras no âmbito do trabalho e Portugal tornou-se um exemplo de que isto pode ser diferente”, explica a CEO da RDD Textiles.
Somos uma indústria que tem um impacto muito grande ao nível ambiental e social também, que não é o caso de Portugal. Portugal tornou-se um exemplo de que isto pode ser diferente
Da tradição industrial à economia circular
A evolução do grupo Valérius acompanha a própria transformação do setor têxtil português. Fundado em 1987, o grupo consolidou-se como parceiro industrial de marcas internacionais, mas rapidamente percebeu que a competitividade futura passaria pela inovação tecnológica, pela sustentabilidade e pela capacidade de gerar valor acrescentado.
A criação da RDD Textiles como unidade de investigação interna foi determinante para esse reposicionamento estratégico. A partir daí, a inovação deixou de ser apenas operacional e passou a estruturar o modelo de negócio. A Valérius 360 surge precisamente como consequência dessa aposta.
“A Valérius 360 nasce para tentar resolver um dos maiores problemas da indústria têxtil, que é exatamente o desperdício durante o processo produtivo e no dito fim de vida das peças. Nasce com esse propósito de conseguir introduzir novamente na cadeia de valor produtos que seriam resíduo em vez de nova matéria-prima”, explica Ana Tavares.
A circularidade deixa assim de ser apenas discurso ambiental e passa a integrar a lógica industrial e económica.
A Valérius 360 nasce para tentar resolver um dos maiores problemas da indústria têxtil, que é exatamente o desperdício. Nasce com esse propósito de conseguir introduzir novamente na cadeia de valor produtos que seriam resíduo em vez de nova matéria-prima.
Portugal como referência na sustentabilidade têxtil
A transformação do setor em Portugal resulta também de uma mudança cultural e estratégica. O país tem vindo a posicionar-se como parceiro industrial europeu capaz de garantir qualidade, proximidade, responsabilidade social e inovação tecnológica.
Ana Tavares destaca essa evolução ao afirmar que trabalha na indústria há uma década e observa hoje uma preocupação muito diferente por parte das empresas portuguesas e também das marcas internacionais que escolhem Portugal para produzir.
O processo industrial da circularidade
A operação da Valérius 360 assenta numa cadeia produtiva integrada que permite recuperar desperdícios têxteis e reintegrá-los na produção industrial. O material recebido é preparado, tratado e reciclado mecanicamente até voltar a assumir a forma de fibra utilizável.
“Temos a área da reciclagem propriamente dita, na qual vemos o primeiro passo, que é o corte da matéria-prima que recebemos. Depois essa matéria-prima é alimentada para um silo, onde há uma preparação da matéria-prima para poder ser reciclada. Há um processo de humidificação do material para evitar que se transforme em pó. E depois temos a reciclagem propriamente dita”, explica a CEO.
O resultado final são fibras que podem substituir matérias-primas virgens, mantendo qualidade e desempenho. “As fibras da reciclagem são em tudo semelhantes às fibras de matérias-primas virgens”, garante.
Esta equivalência é determinante para que a circularidade seja economicamente viável e aceite pelo mercado.
As fibras da reciclagem são em tudo semelhantes às fibras de matérias-primas virgens
Impacto ambiental e eficiência produtiva
O impacto ambiental da reciclagem têxtil é significativo, sobretudo na redução de resíduos e consumo de recursos naturais.
“O processo da reciclagem, no fundo, dá uma segunda vida a materiais que seriam desperdícios. Nós teríamos estes materiais encaminhados para aterro ou para queima e, portanto, com a utilização deste material nós estamos a evitar que isso aconteça”, destaca Ana Tavares.
A substituição de matérias-primas virgens, especialmente o algodão, contribui para reduzir consumo de água, ocupação de solo agrícola e impacto ambiental associado à produção primária.
Além disso, a utilização de desperdícios já coloridos permite evitar processos adicionais de tingimento, reduzindo o recurso a químicos e água. Como refere Ana Tavares, ter as cores já no próprio desperdício evita a utilização de corantes sintéticos e outros elementos normalmente inerentes ao processo produtivo.

Exportar inovação portuguesa
Tal como outras empresas industriais portuguesas, o crescimento da Valérius está fortemente ligado à exportação. Marcas internacionais procuram parceiros que combinem inovação, sustentabilidade, flexibilidade produtiva e fiabilidade.
A circularidade tornou-se fator competitivo relevante e reforça o posicionamento do país como fornecedor de valor acrescentado no setor têxtil europeu.
Desafios técnicos e culturais
Apesar da evolução significativa, a reciclagem têxtil continua a enfrentar desafios técnicos relacionados com qualidade, consistência e escalabilidade dos processos.
“Nós temos vários desafios técnicos e, portanto, temos de tentar sempre ultrapassar esses desafios e tentar melhorar a qualidade da reciclagem”, explica Ana Tavares.
Existe igualmente uma dimensão cultural e regulatória. Segundo a responsável, é necessário incentivar o mercado a procurar mais materiais reciclados e garantir enquadramento legislativo que acompanhe essa evolução.
Inovação em movimento: da reciclagem industrial à tecnologia inteligente
O episódio evidencia como a inovação é uma prática diária que atravessa diferentes dimensões da atividade empresarial. Na Valérius 360, essa inovação manifesta-se na capacidade de transformar desperdício em nova matéria-prima, integrando investigação científica e eficiência produtiva num modelo industrial circular. Ao mesmo tempo, a mobilidade acompanha esse ritmo de decisão e antecipação.
As deslocações entre unidades produtivas, centros de investigação e áreas de decisão fazem parte do quotidiano estratégico da empresa. Neste contexto, o Volkswagen T-Roc surge como extensão natural desse ambiente profissional. O sistema de comandos de voz com assistente inteligente IDA permite aceder à navegação e a diferentes funções do veículo sem desviar a atenção da estrada, reforçando segurança e fluidez na condução. Tal como a inovação da Valérius 360 procura tornar os processos mais eficientes e responsáveis, também a tecnologia automóvel evolui para integrar conectividade, assistência inteligente e conforto sem comprometer a segurança.
A experiência em movimento acompanha o pensamento estratégico, tornando o percurso parte integrante da decisão.
O novo paradigma do têxtil português
A indústria têxtil nacional vive hoje uma fase claramente distinta da que marcou décadas anteriores. O setor tornou-se progressivamente mais tecnológico, mais sustentável, mais orientado para produtos de maior valor acrescentado e cada vez mais internacionalizado. Esta evolução resulta de investimento continuado em inovação, investigação científica e posicionamento estratégico nos mercados externos.
A Valérius 360 é exemplo claro desta transformação e demonstra como tradição industrial e inovação podem coexistir para criar competitividade global.

Produzir cá para competir globalmente
A história da Valérius 360 encaixa plenamente no conceito central da série “De Portugal para o Mundo”, que procura dar visibilidade a empresas portuguesas capazes de competir internacionalmente mantendo a produção em território nacional.
Num contexto global exigente, esta capacidade de adaptação será determinante para o futuro económico do país. A indústria portuguesa está a tornar-se mais tecnológica, mais sustentável e mais orientada para valor acrescentado, reforçando a sua relevância internacional.
Empresas como a Valérius demonstram que Portugal pode continuar a afirmar-se como parceiro industrial competitivo, inovador e sustentável, capaz de transformar conhecimento, investigação e responsabilidade ambiental em vantagem estratégica duradoura.